José de Abreu Imprimir E-mail
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Escrito por TestedeElenco.com   
Dom, 01 de Março de 2009 21:02
Índice do Artigo
José de Abreu
A influência do público
Brecht e o teatro comercial
O envolvimento e o distanciamento
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José de Abreu em cenaA entrevista a seguir, com o ator José de Abreu, foi concedida ao site teatral Interpalco, realizada pelos atores Fabiano Martins e Ivan Pinho, no início do ano 2000. Atualmente, José de Abreu divide seu tempo entre a televisão, o teatro e o cinema. O ator interpreta Pandit, na novela das 8, Caminho das Índias, da Rede Globo e está lançando dois longas-metragens: Bela noite para Voar, de Zelito Viana, no qual interpreta o presidente Juscelino Kubitschek e O Menino da Porteira, de Jeremias Moreira. Além de tudo isso, ele ainda tem fôlego para ensaiar e produzir a peça Vão Paraíso, de Walter Daguerre.

 

Interpalco - O espetáculo “Baal”, de Brecht, foi um dos seus primeiros espetáculos?

José de Abreu - Não, na verdade não. Eu vou fazer uma retrospectiva da minha carreira pra vocês. Eu comecei minha carreira em 1966, quando entrei na Faculdade Católica de Direito em São Paulo. Um grupo de teatro importante, chamado Grupo de Teatro da Universidade Católica, TUCA, que em 65 havia ganho um prêmio, o maior prêmio de teatro de Nancinabô, com uma peça chamada "Morte Vida Severina", que é um poema, um auto de Natal do João Cabral de Melo Neto, musicada por um garoto novo que estava começando a carreira, chamado Francisco Buarque de Holanda. Logo depois que o Chico fez essa coisa, estoura "A Banda", a primeira música dele que fez sucesso e tal. E esse grupo voltou da França, continuou na faculdade e no primeiro dia de aula um colega do centro acadêmico me chamou, perguntou se eu não queria assistir o ensaio da peça, eu fui e comecei a trabalhar como produtor do grupo, estudante mesmo. Só que a peça tinha um sucesso estrondoso, porque tinha ganho o Festival de Nancy (na França) e aqui no Brasil começaram a viajar. Aqui no Rio de Janeiro foi um sucesso maluco, teve uma enchente em 67 que a cidade estava de baixo d’água e a peça lotando, mesmo assim as pessoas saiam para ver. Quer ver uma loucura? Tinha uma coisa também de política da época, a peça era muito libertária e a gente estava vivendo uma ditadura, e ela não pode proibir a peça porque tinha sido premiada no exterior. O João Cabral de Melo Neto era embaixador do Brasil em Portugal, servindo o governo. Como é que vai proibir a peça do cara que é nosso embaixador? Eles foram obrigados a engolir. Depois fiz uma peça chamada “O & A” do Roberto Freire, com música do Chico Buarque e também do TUCA. Depois fiz a minha estréia profissional, foi com uma peça... Uma tragédia grega, “Electra” de Sófocles, fazia o principal papel masculino, o Orestes. Mas na época o movimento estudantil era muito forte, eu fazia movimento estudantil também. O TUCA era um grupo de teatro estudantil que ativava uma política consistente. Teve um congresso da UNE em 1968 que fui preso com uma peça em cartaz. A peça era quarta, quinta, sexta, sábado e domingo e eu ia passar a segunda e terça no congresso e acabamos caindo. Eu saí da cadeia na véspera do AI-5 no dia 13 de dezembro de 1968. O governo federal passou o Ato Institucional número 5, que acabou com as garantias individuais, aí a polícia bateu na minha casa de novo, eu fugi, fui pra Bahia.

Aí já caí na clandestinidade, fiquei um tempo aqui no Rio trabalhando em uma organização guerrilheira, fazendo apoio logístico, nunca pequei em arma não, não estava muito afim. Cheguei a levar do Rio para São Paulo uma mala de dólares roubadas da namorada do político paulista Ademar de Barros, que é mostrado no filme "O que é isso, companheiro?", fiz umas atividades na época consideradas subversivas e tal, e já tinha esse processo lá em São Paulo do congresso da UNE. Acabei indo para Recife, Salvador, meio clandestino. Deixei o cabelo crescer, barba crescer, virei um hippie meio filosófico. Aí fui morar no Rio Grande do Sul, de lá resolvi sair do país, estava muito barra pesada, não conseguia fazer teatro, eu não sabia até que ponto eu era conhecido e fui embora para o exterior. Fiquei em Londres, em Amsterdã. Morando em Londres, lavando pratos, dei umas aulas de teatro e expressão corporal como voluntário, em 72, se não me engano, no finalzinho de 72. Depois morei em Amsterdã um tempo também, depois fui pra Grécia ser pedreiro numa ilha grega. Aí a saudade bateu, bateu, bateu, bateu, voltei e fui embora pro Rio Grande do Sul, ainda tinha ditadura no Brasil, voltei em 74 e fui morar em Pelotas. Lá voltei a fazer teatro, viajava, dava uma volta ali pelo interior do Rio Grande do Sul, até que com uma peça que teve sucesso fui para Porto Alegre, fiz a peça lá, a polícia não me incomodou e fiquei um tempo em Porto Alegre. Até que em 79 fui convidado para fazer um filme, uma produtora aqui do Rio, um filme chamado “A intrusa” que fiz como protagonista, eu e Maria Zilda, o filme ganhou vários prêmios no Festival de Gramado e eu ganhei o prêmio de melhor ator. A Maria Zilda namorava um diretor da Globo, o Roberto Talma, que me viu, me achou um bom ator e me convidou para vir para Globo. Final de oitenta eu vim pro Rio e estou aqui desde 80. Bom, aqui no Rio eu fiz um monte de novelas, uns 20 filmes, 22 longas metragens, fiz muito cinema. Cheguei aqui como ator de cinema, mas logo em seguida eu estreei uma peça em 81. Tive muita sorte de ter sido convidado pra fazer “O beijo da mulher aranha” com Rubens Correia no Teatro Ipanema, que foi o maior sucesso do ano. A gente ficou um ano aqui no Rio, fui pra São Paulo, fiquei 1 ano, viajei o Brasil inteiro e aí deslanchou. Teatro, cinema e televisão, fazendo muita coisa junta. E aí eu estou há 20 anos aqui no Rio jogando nas 3 posições: bato córner, cabeceio e defendo.


 


Interpalco - Sobra tempo para a família?

José de Abreu - Sobra, sobra. O nosso trabalho é meio sazonal às vezes... Por exemplo, ontem acabei uma novela, teoricamente entraria de férias até ser chamado de novo. É que estou fazendo esse projeto do Nelson Rodrigues que me envolveu, mas ano passado eu trabalhei muito pouco. Então é aí que tá, a profissão do ator é engraçada, às vezes você fica um ano sem fazer nada, aí pinta 3 trabalhos ao mesmo tempo, entendeu? 2 filmes, uma peça e você tem que jogar fora um ou dois deles.

Interpalco - Quando acontece isso você dá preferência a algum trabalho?

José de Abreu - Não, cada um tem o seu barato, cada um tem uma curtição. Televisão é aquela coisa rápida, mas te dá uma popularidade imensa na hora, você sai na rua e recebe logo o carinho do público, é uma coisa engraçada. Quando estou fora do ar, passo pela rua e as pessoas me olham e falam: "olha o José de Abreu" ou "aquele cara da TV" ou "aquele ator". Mas quando você entra no ar, a mesma pessoa diz: "ontem você arrasou". Já muda o negócio, entendeu? Tem uma resposta muito imediata. O cinema é aquela coisa mais lenta que a televisão, portanto te dá mais tempo de se trabalhar. Tem o grande barato da tela grande, aquela coisa grande bem iluminada, cuidados que a televisão não tem, é uma fábrica de pizza. E o teatro tem aquela coisa que não se compara, que é o público. Na hora que ele está vendo a peça que começa, é super concentrado, a receptividade e a concentração. Começou não pode parar. No cinema se você quiser você pode parar, pára volta a fita, joga o filme fora, faz outra vez... No teatro não pode parar, abriu a cortina foi.

Interpalco - O público no teatro pode influenciar na interpretação do ator?

José de Abreu - Totalmente, sempre. O público, embora a gente sempre fala: o que é o público? Engraçado isso, o público é um ser... Quer dizer, é uma soma de várias pessoas. Essa soma de várias pessoas é mais do que isso, cria um corpo próprio, ele cria uma entidade. Por exemplo, você pode falar assim: hoje tiveram 200 pessoas, mas o público é mais do que a soma de uma mais uma mais uma, cria uma personalidade. Então hoje você termina a peça e fala que o público hoje estava bom, o público hoje estava ruim, é engraçado. Aquela massa, aquele monte de pessoas cria uma personalidade própria, mas ainda tem que ser estudado pela psicologia, mas cria muito claramente uma personalidade própria. O público de sábado é um público mais duro, o preço do ingresso é mais caro, são pessoas mais ricas, classe média alta, que vão ao teatro para depois jantar, que só saem no sábado porque durante a semana estão preocupados em ganhar dinheiro, não tem tempo de ir a uma sexta-feira no teatro ou numa quinta-feira. O público na quinta é mais barato, vai mais estudantes, é um público que ri mais fácil, mais receptivo.



Interpalco - Nós te perguntamos sobre essa peça “Baal”, porque foi um dos primeiros espetáculos que projetou o Moacyr Goes. Foi no Teatro Vila Lobos, não foi?

José de Abreu - Foi o primeiro que fez grande sucesso, o primeiro que ele fez com ator conhecido. Foi no Espaço 3, lá atrás.

Interpalco - E os espectadores ficavam no meio e a peça era encenada em volta deles. Como foi fazer isso?

José de Abreu - Foi uma experiência louquíssima. Pois é, o Moacyr já estava ensaiando essa peça fazia uns 6 meses com um grupo de estudantes, ele dava aula na CAL. Um grupo de atores bem jovens, estudantes de teatro e tal. E o rapaz que ia fazer o “Baal”, acabou saindo do grupo e eu pedi para fazer isso. Ele ficou pensando e acabou aceitando. Então eu era meio um ser extraterrestre dentro daquele grupo que já trabalhava há tanto tempo. Mas o “Baal” é um ser extraterreno, então deu certo, porque o “Baal” é um poeta totalmente maldito, uma coisa assim, um poeta genial, um músico genial. Mas um ser humano que gostava de algo que fosse mais abjeto, mexer nas profundezas do ser humano e a gente bolou um lance. O seguinte, é um quadrado o Espaço 3 no Teatro Vila-Lobos, aliás esse nome Espaço 3 fomos nós que demos, botamos o cenário nos quatro lados, levantávamos um dos palcos, o público entrava, em seguida abaixávamos o palco e tinha umas cadeiras no meio que giravam. Eu acho que foi o maior sucesso do Moacyr, mas não foi a primeira peça minha não, eu já estava bem... Isso foi em 89, 88.

Interpalco - Mas foi uma das primeiras de Brecht.

José de Abreu - Foi, a primeira peça que Brecht escreveu, ele tinha 18 anos. Engraçado que agora eu vou montar a primeira peça do Nelson Rodrigues, eu não tinha pensado nisso.

Interpalco - O teatro mudou bastante dessa época para agora. A maioria das peças hoje em dia podem ser consideradas comerciais?

José de Abreu - O que é uma peça comercial? Normalmente a gente falava peça comercial ou teatrão, porque na minha época a gente chamava de teatrão de uma maneira para denegrir a peça, de uma maneira pejorativa e uma vez eu li num livro de teoria teatral dizendo que teatrão é aquela peça que não mexe muito na estrutura do espectador, que não mexe... é uma peça de diversão, que a pessoa entra para se divertir. Então cumpre a função de divertir a pessoa, um pouco maior, porque o teatro sempre diverte de uma maneira mais cultural do que a televisão, do que o cinema, sei lá. A presença do ator ali na tua cara, eu acho que dá uma coisa que o teatro tem, por isso o teatro não morreu quando surgiu o cinema e o teatro não morreu quando surgiu a televisão e não vai morrer, porque é o único que tem o cara ali. O espectador sabe, embora não conscientemente, que aquele cara é que nem ele, pode morrer, pode ter vontade de fazer cocô, pode espirrar, pode ter um enfarto e cair morto ali na hora. O espectador não pensa nisso, mas ele sabe disso, ele sente uma coisa estranha, porque ele sabe que a pessoa tá ali na cara dele e a peça não pode parar, ele se coloca na pele, isso cria uma afinidade. Mas agora eu me perdi, onde eu estava mesmo?

Interpalco - Falando sobre o espetáculo comercial...

José de Abreu - O espetáculo comercial então seria aquele que é montado para divertir as pessoas. Ao contrário a isso seria o espetáculo experimental, seria o espetáculo de cunho político que hoje em dia não tem mais, porque a gente vive numa democracia. Quero dizer, não tem mais o que reclamar e o teatro experimental é um teatro muito... Bugiaria é uma peça experimental. Gerald Thomas faz coisas experimentais, só que ele é uma Madonna, sabe divulgar como ninguém. Ele consegue fazer um teatro experimental que é quase um teatrão, porque ele consegue um sucesso. Também agora que ele conseguiu o sucesso, faz tempo que ele não fazia um sucesso, eu li numa entrevista dele. Você precisa do público, tá muito difícil arrumar um patrocínio, o público de teatro no Brasil cada vez está menor. Então, se você montar uma peça difícil não vai ninguém, a não ser que você tenha um grupo de teatro que não viva disso, que as pessoas tenham outras profissões, você pode fazer uma peça que não vai ninguém. O que vai é uma meia dúzia de intelectuais ou estudantes de teatro que têm uma curiosidade. O que o artista tenta fazer é conseguir sucesso, sobreviver, lotar o teatro, isso que a gente quer. Então agora eu vou montar a "Mulher sem pecado”, eu não sei se eu vou ter sucesso. Também não garante sucesso o fato de você montar uma peça "comercial" porque uma peça comercial é comédia. Hoje em dia a gente fala: por que todo mundo só monta comédia? Por que a comédia é mais comercial? Eu não sei o que que é. Peça que incomoda não é comercial? Mas é teatro também. Hoje em dia comercial é o que faz sucesso, é o que tem a possibilidade de ser vendido, que tem público, quanto mais reduz o público mais é difícil fazer peças cabeça, né?

Interpalco - Por que as pessoas preferem rir do que chorar?

José de Abreu - Porque a vida do dia-a-dia... Eu não sei, mas "O beijo da mulher aranha" era uma peça que fazia chorar muito. Fazia rir e chorar. No primeiro ato se ria muito, no segundo ato chorava muito, foi um puta de um sucesso! Eu acho que quando faz chorar, que mexe mesmo com a estrutura da pessoa, faz sucesso. As pessoas gostam de chorar, mas não é chorar pouquinho não, tem que pegar no fígado mesmo, fazer sair da peça torto, aí você não sabe nem muito bem se gostou ou não gostou, se você gostou é porque te mexeu.



Interpalco - Ao longo da sua carreira, você interpretou diferentes personagens cômicos e trágicos. Para o ator isso pode significar um exercício contínuo da psicologia, influenciando na sua vida pessoal?

José de Abreu - Eu acho que sim, eu estudei numa época psicologia infantil. Teve uma época que eu fui professor de crianças e formava professores para dar aula de educação dramática. Eu costumo dizer que criança não deve fazer teatro e sim educação dramática, que não tem essa coisa de construção do personagem. É mais usar o teatro como crescimento humano, não para apresentar uma peça. A criança quando brinca "eu sou mãe", ela acredita que ela é mãe mesmo. Tanto que Stanislavisky baseou-se nessa crença. Quando um garoto pega uma caixa de fósforo faz "brum, brum", ele pensa que aquilo é um caminhãozinho. E o ator tem que ter o discernimento para saber o que é o personagem e o que é ele próprio. É óbvio que sempre mistura, momentos assim de teatro é uma coisa que te envolve muito. Momentos de criação no cinema, quando você está muito envolvido no personagem, você adquire algumas características dele, mas depois que acaba você perde. Eu faço muito papel em cinema de cara bravo, machão, que fala meio grosso. As pessoas que estão à minha volta acham que eu fico mais grosso e tal, e quando eu faço comédia é ao contrário, eu fico mais bem humorado, mais simpático.

Interpalco - Continuando neste tema, sobre o envolvimento ou distanciamento do personagem com ator, podemos dizer que existem duas teorias de se representar, uma que tem a identificação do ator com o personagem, Stanislavisky, e ao contrário, que é o ator distanciado, Brecht, utilizando mais a técnica. Qual teoria que você mais se adapta?

José de Abreu - Primeiro eu acho que a teoria do Brecht, a única pessoa que conseguiu fazer foi ele, foi o grupo dele, que conseguiu fazer uma técnica de distanciamento. Isso não sou eu quem estou dizendo, vários críticos de teatro disseram isso. O que se fez muito aqui no Brasil, no Teatro Oficina de São Paulo, foi usar o recurso do coringa, que quer dizer que a cada cena o personagem era representado por um ator, então evitava que o público se identifica-se com o personagem e trocava. O coringa não vale nada. Vale qualquer carta... Então aquele ator coringava. Uma hora eu entrava como Olegário, outra como Joel, então isso cria um distanciamento. Como Brecht usava cartazes, tudo para você não esquecer que está no teatro, você não perde a consciência crítica. Isso passou, isso foi uma época quando o teatro era usado como veículo de conscientização política, agora o Brecht, mesmo ele, quebrava a cara. “A Mãe Coragem” na estréia em Paris as pessoas choravam de derramar lágrimas, se emocionaram pra cacete. Ninguém teve senso crítico nenhum, ele ficou puto em Paris porque as pessoas choravam emocionadíssimas e nem hoje se sabe muito bem se o Brecht fazia isso para ganhar dinheiro, para ser subvencionado pela cultura comunista, pela Alemanha Oriental. Tem crítico que acha que você montar a peça dele sem dar bola para teoria é muito melhor. Agora, eu sou stanislaviskiano na boa. Eu fiz Brecht, mas eu construo meus personagens à moda de Stanislavisky, com memória da emoção, vida anterior, vida posterior, vida interior. Tem um métodozinho Stanislavisky que eu bolei ao longo da minha vida, criando todas aquelas imagens. Por exemplo, um negócio que é do caralho. Não está no método de Stanislavisky, mas que os estudiosos chegaram... Exemplo, quando você vai representar um personagem, você vai criar a história dele, as circunstâncias propostas que tem no texto, o que aconteceu antes até chegar aqui e tal, e uma das coisas, muito interessante, é você fazer um álbum de família. Você pega um monte de revista velha e imagina como era a mãe, que cara tinha a mãe deste personagem. Você arruma uma cara de alguma pessoa e quando você fala na minha mãe, não me vem a palavra mãe na cabeça, vem aquela cara que você escolheu, a imagem, a casa onde ele nasceu, o vizinho, o cachorro que ele tinha... Aí você vai escrevendo a história dele e vai fazendo um álbum de família, você cria uma vida a partir do que o autor te deu, para você rechear a tua cabeça, pensar como o personagem pensaria.

Interpalco - Você destacaria alguns atores que trabalharam contigo?

José de Abreu - Sem dúvida, tem pessoas importantíssimas. O Luís Artur Nunes, que vai me dirigir novamente, o Rubens Correa, o Ivan de Albuquerque... A minha carreira é antes e depois do Rubens Correa, eu aprendi a representar, a saber a profundeza, o mistério, a dor e a delícia de representar. Eu aprendi com Rubens Correa, a gente fez a peça 730 vezes, uma peça de dois atores com duas horas, só os dois ali em cima o tempo inteiro, é uma coisa! E o Rubens Correa era um dos maiores atores que o Brasil já teve em todas as épocas, um gênio da interpretação.

Interpalco - Você indicou o nosso site para a revista Veja. Que comentário você faria da Interpalco para os nossos leitores?

José de Abreu - Eu achei uma mistura do caralho de Internet com teatro, Interpalco. Depois que vocês bolaram, me parece uma palavra óbvia. Mas dizem que a boa marca é aquela que quando você vê depois de feita você fala: "só podia ser isso". Eu sou interneteiro velho, desde 95.

Valeu Zé, muito obrigado pela entrevista!
Lhe desejamos mais sucesso (se isso for possível)!


Fonte: Interpalco

Última atualização em Qui, 29 de Setembro de 2011 10:46
 

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