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Métodos e seus Precursores na Arte de Atuar PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernanda Degolin   
Qui, 04 de Fevereiro de 2010 00:00

 

Estarei dando um breve resumo de cada gênio da interpretação. Nós, do mundo das artes, temos sempre que estar em sintonia. Nunca devemos estacionar nosso conhecimento. Somos eternos aprendizes. Só deixamos de aprender quando morremos.

Estudar interpretação para teatro, TV ou cinema, nos deixa em contato com alguns Mestres, cujos métodos são aplicados até hoje.

O Ator passa pelo trabalho de preparação do instrumento cênico com o corpo, onde se inclui voz e emoção. Para se alcançar isso tem caminhos variados. Vários questionamentos de “Como 'encarnar' um personagem?” ou “Como representá-lo?”, podem ser solucionados através do estudo das propostas da prática teatral.

“As leis do palco existem e devem ser respeitadas”.

Vamos conhecer as diretrizes dos principais métodos teatrais:

Stanislavski

Constantin Stanislavsky (1863-1938). Ator e diretor russo, está no centro da principal revolução que se operou no teatro do século 20.

Com ele, a criatividade do ator não é mais um truque de técnicas; a criação do papel torna-se um ato natural, que implica o fato de o indivíduo utilizar seu próprio material humano, eliminando máscaras, clichês e estereótipos.

O conceito fundamental de Stanislavsky é o de MEMÓRIA DE EMOÇÕES. Segundo o seu sistema, o ator deve construir psicologicamente seu personagem, de forma minuciosa. Mesmo que a peça forneça poucos dados, deve-se buscar, com exercícios da imaginação, o passado e o futuro do personagem.

 

Artaud
Antonin Artaud (1896-1948). O teatro do francês é como ele próprio, múltiplo. Poeta, ator, diretor e ensaísta, esse homem conseguiu influenciar e remexer os vários princípios da cultura ocidental, apesar de clinicamente ter sido considerado louco.

Ele não deixou qualquer método de representação, apenas idéias incandescentes. "A estética da crueldade é isso: Um jato sangrento de imagens, tanto na mente do poeta como do espectador, pondo o sangue e a violência a serviço da poesia", dizia Artaud. A essa proposta ele chamou Teatro da crueldade.

 

Brecht

Eugen Bertolt Friedrich Brecht (1898-1956). O dramaturgo alemão tentou romper abertamente com o método Stanislavski em 1929, quando escreveu que o objetivo da nova arte deveria ser pedagógico, tanto no conteúdo quanto na forma. Segundo ele, o ator e o espectador deveriam se distanciar um do outro e cada um de si próprio.

Com Brecht surge a teoria do distanciamento - o espectador deve tirar da peça uma lição permanente e não se identificar sentimentalmente com ela, enquanto o ator deve ser capaz de sair de sua personagem e comentar sua interpretação.

Isso não significa dizer que Brecht não valorizava a emoção. O diretor Amir Hadad elege Brecht como o teórico que mais o influenciou: "Eu não tenho dúvidas de que todos os atores deste século, conhecendo ou não Brecht, são influenciados pela obra dele".

Grotowski
Jersy Grotowski (1933-1999). Polonês que na década de 60, modificou a maneira de pensar a atuação cênica. Disse que o teatro deveria recuperar sua "POBREZA", despindo-se do desnecessário. Segundo ele, os figurinos, os cenários, a música, os efeitos de luz e até mesmo o texto dramático são acessórios dispensáveis. Mas não o ator.

Sua meta era criar o "ATOR SANTO", que se revela por inteiro, sendo capaz de expressar através do som e do movimento, os impulsos que estão no limite do sonho e da realidade.

O ator brasileiro Cacá Carvalho, que fez parte da Companhia de Grotowski diz: "É a origem do teatro na sua essência, num mundo onde a massificação é preponderante. Onde cada espectador seja um indivíduo com uma visão própria sobre o espetáculo, e não uma platéia uniforme".

“Como o material do ator é o próprio corpo, esse deve ser treinado para obedecer, para ser flexível, para responder passivamente aos impulsos psíquicos, como se não existisse no momento da criação - não oferecendo resistência alguma. A espontaneidade e a disciplina são os aspectos básicos do trabalho do ator, e exigem uma chave metódica” Grotowski.

Boal
Augusto Pinto Boal (1931-2009). Foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional. Fundador do Teatro do Oprimido, que alia o teatro à ação social, suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política, mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional.

"O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos 'ESPECT-ATORES'.”

Boal tem uma obra escrita expressiva, traduzida em mais de vinte línguas, e suas concepções são estudados nas principais escolas de teatro do mundo. O livro "Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas" trata-se de um sistema de exercícios ("monólogos corporais"), jogos (diálogos corporais) e técnicas de teatro-imagem, que, segundo o autor, podem ser utilizadas não só por atores mas por todas as pessoas.

O Teatro do Oprimido tem centros de difusão nos Estados Unidos, na França e no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, Santo André e Londrina. Augusto Boal foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2008, em virtude de seu trabalho com o Teatro do Oprimido.

Em março de 2009, foi nomeado pela UNESCO embaixador mundial do teatro. Suas idéias, adotadas em diversas iniciativas em todo o mundo, renderam-lhe um reconhecimento que pode ser expresso nos seguintes comentários, que figuram no seu livro Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas: "Boal conseguiu fazer aquilo com que Brecht apenas sonhou e escreveu: um teatro alegre e instrutivo. Uma forma de terapia social. Mais do que qualquer outro homem de teatro vivo, Boal está tendo um enorme impacto mundial" - Richard Schechner, diretor de The Drama Review. "Augusto Boal reinventou o teatro político e é uma figura internacional tão importante quanto Brecht ou Stanislawski." - The Guardian.

Augusto Boal morreu recentemente no dia 2 de maio de 2009, aos 78 anos, no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, por insuficiência respiratória. Boal sofria de leucemia.

“O método te dá o caminho para compreender os textos, mas a verdadeira arma do ator é a intuição”, explica o ator Pedro Paulo Rangel.

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Fernanda Degolin
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Última atualização em Seg, 08 de Março de 2010 11:38
 
Autor deste artigo: Fernanda Degolin

Comentários 

 
#5 garotus 2010-02-21 18:31 Bah! Um resumo bem feito com uma pitada de ponto de vista um tanto interessante. Recomendo aos atores que não utilizem todas essas técnicas juntas em cena ao mesmo tempo.. a não ser que queriam criar uma perdonagem perfeitamente burlesca.. rs Citação
 
 
#4 Raphaela Ribeiro 2010-02-18 08:27 Perfect! Citação
 
 
#3 Márcio Herrmann 2010-02-12 00:26 Muito Bom, gostei sim! tenho todos livros de Stanislawski Citação
 
 
#2 Emerson Espindola 2010-02-09 07:49 Muito bom!
Obrigado…
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#1 ciriloow 2010-02-05 11:20 fantááássstiicO O!!! Citação
 

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