| O ator clandestino de João Falcão |
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| Escrito por Adriana Passos | |||
| Qua, 29 de Julho de 2009 14:54 | |||
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Clandestinos é um retrato do jovem ator brasileiro, mas agrada a todos os públicos.
O sonho de ser artista está para o jovem de hoje, assim como a crença em construir um mundo melhor estava para o jovem dos anos 60. As drogas continuam lá, o sexo também, mas, o rock and roll já não é unanimidade. E a utopia deu lugar a uma obsessão pela fama, pelo sucesso, por aparecer na TV e nas capas de revista. As vias para se alcançar esse objetivo transitam entre as passarelas, as novelas, os reality shows, quando não mesclam todos esses veículos. A paixão pela interpretação, pela carreira do ator em si, muitas vezes, fica em segundo plano. É disso que trata o cativante musical Clandestinos, de João Falcão. Diálogos inteligentes, críticas sutis, mesmo, delicadas, de assuntos muito sérios e absolutamente presentes, personagens bem construídos, algumas boas surpresas no elenco e a direção detalhista e criativa de João Falcão fazem desse espetáculo uma excelente oportunidade para rir, refletir e se encantar. A questão do êxodo rumo ao Rio de Janeiro, a cidade onde as coisas e as pessoas acontecem, mais uma vez é levantada por Falcão. Dessa vez, porém, não é o tema central, como foi em A Máquina, peça e filme baseados no livro homônimo, de Adriana Falcão, esposa do diretor. Aqui o tema divide a cena com outros quesitos que compõem o universo do jovem ator brasileiro, como os estereótipos de personagens (o negro esperto, a gordinha legal), as rotulações (o ex-modelo, o nordestino), a oposição maniqueísta “cultura de massa x arte hermética”, a jornada dos testes de elenco, a difícil escolha entre a estabilidade e uma carreira incerta e muito mais. Apesar de se encaixar na categoria “musical”, está longe do que se costuma ver em espetáculos desse gênero, onde as músicas parecem se atropelar. E está mais longe ainda de ser uma cópia tupiniquim de um musical da Broadway. A peça traz apenas algumas músicas, que, com suavidade, sutileza e brasilidade, conduzem a história. Para o público carioca, porém, as notícias não são muito boas. Clandestinos fica em cartaz no Rio de Janeiro somente até o fim de julho. Mas, fica a dica, caso a peça volte à “cidade onde os sonhos se realizam”. E, para as demais regiões, não perca a chance, se o espetáculo passar por aí. Site do espetáculo: www.clandestinos.art.br
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| Última atualização em Qui, 29 de Setembro de 2011 10:44 |


