Quem trabalha de graça é relógio. Ou não.

Muito se discute entres os atores profissionais sobre os baixos cachês das produções audiovisuais. Com razão, artistas que se dedicam e investem anos de suas carreiras no seu aperfeiçoamento e resistem ao complicado mercado de atuação, ficam indignados quando veem oportunidades de trabalho com cachês baixos ou inexistentes. Porém, sem querer ser – de forma nenhuma – contra esta revolta, vale ressaltar que existe um outro lado da moeda.

Com a popularização das câmeras de vídeo digitais, celulares que filmam, webcams e afins, com a democratização da Internet banda larga e com a proliferação de cursos e faculdades voltados à produção audiovisual, estamos passando por uma fase de grande crescimento no mercado de atuação/atores. Uma verdadeira revolução que envolve inclusão digital, cultural e, consequentemente, social.

Como toda revolução possui aspectos positivos e negativos, esta não poderia ser diferente. Inúmeras produções que estão surgindo vão sendo produzidas sem nenhum planejamento. É a velha frase do cineasta Glauber Rocha “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” levada ao extremo, mas de forma equivocada. O sujeito tem uma ideia, chama os amigos e começa a “filmar”. O resultado disso você vê claramente nas telas: muitos filmes sem qualidade.

Vejam bem, sempre estimulamos a produção independente no nosso blog, mas é necessário um mínimo de planejamento. Você precisa se programar em diversas áreas da produção, desde o roteiro à fase de pós-produção, mas aqui neste post vamos falar exclusivamente da contratação dos atores. O trabalho de todos é importante, mas se o ator for escolhido sem nenhum critério, seu filme estará fadado ao fracasso.

Tudo bem, mas qual seria “o outro lado da moeda” citado no início do texto? Quando vemos um anúncio de teste de elenco sem cachê ou com uma remuneração muito baixa, entendemos que esta seleção pode ser direcionada para dois tipos de atores:

1) atores profissionais ou amadores que possam se identificar com o roteiro/tema e acreditar no projeto;

2) atores amadores/iniciantes que estão à procura de trabalhos para “enriquecer” seu portfolio.

Para todos os casos, é importante que se valorize o trabalho do ator. Se o projeto não tem verba ou se esta é muito limitada, só não pode faltar uma coisa: respeito. Se a produção não vai poder pagar cachê, que fique claro antes de qualquer coisa. Se não vai poder pagar transporte e alimentação, idem. Jogue limpo com todos os envolvidos. E isso também vale para o ator. Se você aceitou entrar no projeto sabendo que receberia pouco ou nada, não deixe que isso afete seu desempenho, sua dedicação e, principalmente, não saia sem dar satisfação. Lembre-se que o trabalho é feito em equipe e que todos são importantes no processo.

Dica importante: se você não vai ser pago pelo trabalho, tente negociar uma permuta. É muito comum hoje em dia o que alguns chamam de “escambo feliz”. Você trabalha no projeto e em troca pode gravar uma cena – à sua escolha, tipo um videobook – para ter mais uma forma de divulgar seu trabalho.

Além disso, peça sempre uma cópia do filme pronto. E, se quiser, mande pra gente. Teremos um enorme prazer em divulgar seu material.

Você já trabalhou de “graça”? O que você acha disso tudo? Comente.

Abraços,

Fabiano Martins.

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